Buchdetails
Beschreibung
[…]
Só nesta obra dramática de Wilde a linguagem perseguiu o intuito de criar uma atmosfera sensual e sufocante, com um vocabulário caro à “decadência” estética do final do século XIX e que já surgia nalguns passos de Dorian Gray. Wilde espalha sangue, vinho e muitas cores, põe pratas a cintilar na lua, enfeita discursos com topázios, ónix, sardónicas e calcedónias, que lá se encontram quase sempre como sonoridades reduzidas à sua função de “palavra”, e não para as significações mais profundas que assumem, por exemplo, em Mallarmé ou Maeterlinck. A peça desenrola-se sob os raios de uma lua vista por cada personagem com olhar diferente, e que é reflexo dos seus próprios anseios. As personagens ouvem-se pouco umas às outras, dialogam entre si com os monólogos do seu isolamento carregado de uma nostalgia erótica que procura a beleza e teme a morte.»
Aníbal Fernandes