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A Jornada do Peregrino é um livro de 1678. Só pelo ano, já seria possível perceber, mas pelo próprio conteúdo, percebe-se que é um livro extremamente datado. Logo no começo, consegue-se entender a proposta: é um livro religioso, escrito por um religioso, fazendo uma alegoria sobre o caminho e os desafios que as pessoas devem percorrer e vencer para chegarem ao céu. Ele conta a história de Christian e, depois, Christiana (Cristão e Cristã, em tradução livre), que descobrem na Bíblia "a verdade", e começam sua caminhada como peregrinos em busca do Monte Sião.Vim de uma família bastante religiosa, e não sou religioso. As alegorias são conhecidas, para mim. Achei extremamente desnecessário e cansativo que praticamente todas as frases descritas no livro têm um embasamento em uma passagem da bíblia - passagens, estas, que são transcritas no próprio livro. Depois das primeiras quinze páginas, comecei a automaticamente pular todas as passagens da bíblia para me focar na história e não desistir de lê-lo.O livro é datado por dois principais motivos:- Ele traz uma visão extremamente restrita da religião e da bíblia, e interpreta os textos da bíblia de forma extremamente direta, sem nenhum tipo de interpretação ou filtro por causa do texto. Isso é traduzido em um livro onde os personagens principais são, na prática, super preconceituosos, e a jornada em busca da iluminação deles é uma jornada onde estão sempre dizendo para os outros o quanto eles são melhores e mais iluminados, e como os outros podem melhorar para chegarem ao nível deles, senão não seriam dignos do paraíso.- Ele traz, literalmente, momentos de preconceito. O mais marcante, pra mim, foi racial, perto do fim do livro, que trago em tradução livre:"Eles trambém foram levados a um lugar onde encontraram um Tolo, e um Carência, lavando um Etiópio, com a intenção de deixá-lo branco; mas quanto mais eles o lavavam, mais preto ele ficava. Então, o grupo perguntou aos pastores o que aquilo significava. Então eles os disseram "é assim que acontece com uma pessoa vil: todas as formas utilizadas para deixá-la com um bom nome, acabarão deixando-a ainda mais abominável. Assim aconteceu com os Farisesu, e assim acontecerá com todos os que fingem serem religiosos.O autor também não soube trazer cenários onde, realmente, as passagens se encaixassem "redondinhas". Em vários momentos, tudo o que os peregrinos têm são a palavra de uma pessoa contra a outra, que representam o bem e o mal, e ele toma as decisões certas por pura sorte. Um exemplo disso é no momento em que Christian fala com o Evangelista e com o Sábio Mundano (Worldly Wiseman, em tradução livre). Os dois falam que o caminho que o outro sugeriu levaria apenas à morte, sem nenhuma substância em suas alegações, e Christian acaba apenas seguindo o conselho da última pessoa que o convenceu.Li o livro em inglês, e só não considerei o livro uma estrela por dois motivos:- Foi bom para treinar o inglês porque trazia realmente palavras bem diferentes que não são geralmente utilizadas em outros livros.- A forma de escrever de John Bunyan é bonita, ou pelo menos era a revisão do livro que eu li, tornando a leitura "agradável", quando relevando todos os outros pontos negativos.Mas em geral, não recomendo a leitura para o leitor comum. Li cerca de oitenta porcento do livro apenas com a intenção de poder avaliá-lo negativamente com conhecimento de causa.