Helena

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2015 · Portuguese · Kindle · 21 editions
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Description

Helena é um romance de Machado de Assis. Foi publicado em 1876. Aqui pouco temos da sutileza psicológica dos dois primeiros romances, verdadeiros estudos de mulheres, ou da sutileza filosófica dos romances da fase madura de Machado. Parece que Machado, após as críticas negativas a A Mão e a Luva (vide o verbete), quis mostrar que ele também era capaz de escrever um texto quintessencialmente folhetinesco. Temos aqui o amor proibido (incestuoso, até prova ao contrário), passado misterioso (de Helena antes de ingressar na família do finado Conselheiro), a força do destino (que faz de Salvador o eterno fracassado), o marido traído e abandonado (Salvador), a morte trágica de personagem jovem, etc. É em Helena que Machado é menos "machadiano", mais romântico. Por isso é considerado pela crítica moderna o mais "fraco" romance de Machado. "Que era, na verdade, o romance Helena? Nada mais que um folhetim ao gosto romântico, destinado a emocionar senhoras e moças de coração sensível. A intriga fora armada precisamente para provocar tal efeito e o autor se deu ao maior esforço para torná-la menos inverossímil, ou mais aceitável, sem todavia conseguir dissimular inteiramente o que tinha de artificial." "Era um típico folhetim de ficção, então cultuado pelas mulheres, a quem as publicações ilustradas mais e mais se dirigiam. (COM NOTAS)(BIOGRAFIA)(ILUSTRADO)

Book Details

Format Kindle
Pages 207 pages
Language Portuguese
Published Dec 31, 2015
Publisher Rastro Digital
Editions 21 editions

Genres

Romance Mystery Science Fiction Thriller & Suspense Classics

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Helena, de Machado de Assis, foi uma leitura que realmente me prendeu e me fez refletir bastante. Ao longo da obra, fiquei pensando sobre o papel da mulher — ou melhor, sobre como ela era vista durante o Romantismo, período em que o livro foi escrito.\n\nHelena é uma jovem cativante, sempre solícita, prestativa e muito disponível para os outros, principalmente para Dona Úrsula. Ela é educada, sabe tocar piano, faz tudo que, naquela época, era considerado o que uma “mulher precisa saber”. Ao mesmo tempo, não foge muito do padrão das protagonistas do período: ela não tem exatamente a perspectiva de se casar por amor, mas sim pelo conforto, pela segurança de ter uma casa e alguém que pudesse lhe dar sustento.\n\nGostei muito do livro, especialmente da página 153, quando Helena e Estácio conseguem declarar o amor um pelo outro apenas pelo olhar. Foi a primeira revelação desse sentimento, e achei essa cena muito bonita justamente pela sutileza. Aliás, essa é uma das coisas que mais me marcou na obra: a forma delicada e sensível como o amor entre os dois é construído. Ele começa como um amor de irmãos, mas vai se transformando em algo mais profundo, mesmo com a consciência de que não poderiam ficar juntos.\n\nAs cenas em que Estácio fala sobre amor e tenta convencer Helena de que ela deveria se casar por amor, e não apenas por conforto, também me chamaram atenção. Em contraste, Helena traz reflexões importantes para ele, como quando mostra que o dinheiro não vale tudo e o faz enxergar certas situações — como a questão do escravo — por outra perspectiva.\n\nOutro ponto que achei muito bonito foi a forma como Helena, que inicialmente não é bem-vinda e até odiada quando chega, principalmente por Dona Úrsula, vai aos poucos conquistando a afeição de todos. Essa mudança acontece de maneira natural e é muito bem construída ao longo da história.\n\nPor outro lado, fiquei triste e um pouco decepcionada com a morte dela. Achei que foi tudo muito rápido — tanto o desenvolvimento da doença quanto os acontecimentos que levaram à sua morte. Não sei se isso é comum, mas senti falta de um desenvolvimento maior nessa parte.\n\nO final também me deixou com uma sensação de coisa em aberto. Fica a dúvida se Estácio realmente se casa com Eugênia — provavelmente sim —, mas a impressão que tive é que, independentemente disso, o coração dele sempre vai estar preso a Helena.\n\nNo geral, achei a obra muito bonita. A escrita do Machado é sensível, sutil, e isso aparece principalmente na forma como os sentimentos são construídos e revelados. Helena não é uma história de amor explícita ou dramática, mas justamente por isso se torna tão marcante.

March 26th 2026
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