Helena

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2015 · Portuguese · Kindle · 21 editions
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Helena, de Machado de Assis, foi uma leitura que realmente me prendeu e me fez refletir bastante. Ao longo da obra, fiquei pensando sobre o papel da mulher — ou melhor, sobre como ela era vista durante o Romantismo, período em que o livro foi escrito.\n\nHelena é uma jovem cativante, sempre solícita, prestativa e muito disponível para os outros, principalmente para Dona Úrsula. Ela é educada, sabe tocar piano, faz tudo que, naquela época, era considerado o que uma “mulher precisa saber”. Ao mesmo tempo, não foge muito do padrão das protagonistas do período: ela não tem exatamente a perspectiva de se casar por amor, mas sim pelo conforto, pela segurança de ter uma casa e alguém que pudesse lhe dar sustento.\n\nGostei muito do livro, especialmente da página 153, quando Helena e Estácio conseguem declarar o amor um pelo outro apenas pelo olhar. Foi a primeira revelação desse sentimento, e achei essa cena muito bonita justamente pela sutileza. Aliás, essa é uma das coisas que mais me marcou na obra: a forma delicada e sensível como o amor entre os dois é construído. Ele começa como um amor de irmãos, mas vai se transformando em algo mais profundo, mesmo com a consciência de que não poderiam ficar juntos.\n\nAs cenas em que Estácio fala sobre amor e tenta convencer Helena de que ela deveria se casar por amor, e não apenas por conforto, também me chamaram atenção. Em contraste, Helena traz reflexões importantes para ele, como quando mostra que o dinheiro não vale tudo e o faz enxergar certas situações — como a questão do escravo — por outra perspectiva.\n\nOutro ponto que achei muito bonito foi a forma como Helena, que inicialmente não é bem-vinda e até odiada quando chega, principalmente por Dona Úrsula, vai aos poucos conquistando a afeição de todos. Essa mudança acontece de maneira natural e é muito bem construída ao longo da história.\n\nPor outro lado, fiquei triste e um pouco decepcionada com a morte dela. Achei que foi tudo muito rápido — tanto o desenvolvimento da doença quanto os acontecimentos que levaram à sua morte. Não sei se isso é comum, mas senti falta de um desenvolvimento maior nessa parte.\n\nO final também me deixou com uma sensação de coisa em aberto. Fica a dúvida se Estácio realmente se casa com Eugênia — provavelmente sim —, mas a impressão que tive é que, independentemente disso, o coração dele sempre vai estar preso a Helena.\n\nNo geral, achei a obra muito bonita. A escrita do Machado é sensível, sutil, e isso aparece principalmente na forma como os sentimentos são construídos e revelados. Helena não é uma história de amor explícita ou dramática, mas justamente por isso se torna tão marcante.

March 26th 2026
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